terça-feira, 30 de agosto de 2011

Bolsistas do PIBID da escola Antônio João aprovam trabalho na Jornada Acadêmica Integrada da UFSMientífica do IF-Sul


TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO NA EDUCAÇÃO RURAL: RECURSOS E ESTRATÉGIAS DE ENSINO

Laís Falcade1; Matheus Felipe de Lucca1; Paola Cavalheiro Ponciano1
Marcia Schneider2; Adriano Brum Fontoura3

Esse trabalho está inserido no sub-projeto “A Inclusão Digital e o Uso da Informática em Benefício da Educação Básica”, faz parte do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) que oferece bolsas a acadêmicos de cursos presenciais de Licenciatura que se dispunham a estagiar nas escolas da rede pública de ensino, unindo secretarias estaduais e municipais de educação às universidades públicas. O programa tem como objetivo melhorar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e incentivar a formação de professores da educação básica. Promovido pelo Ministério da Educação (MEC) com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) vem para antecipar a entrada dos acadêmicos no seu futuro campo de trabalho. É realizado por acadêmicos do curso superior de Licenciatura em Computação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha – Campus Santo Augusto. É desenvolvido na Escola Municipal de Ensino Fundamental Antônio João, localizada na zona rural do município, que tem um laboratório composto por cinco computadores conquistados a partir do programa ProInfo Rural, sistema operacional Linux 3.0 e conexão com rede de Internet em todas as máquinas. Na era digital, as escolas desempenham um papel fundamental na formação do cidadão e não podiam ficar de fora desse contexto tecnológico e o PIBID proporcionou essa conquista na área, disponibilizando as instituições de ensino a oportunidade de por em funcionamento seus laboratórios. O projeto já está sendo desenvolvido a um ano e três meses e busca a integração dos docentes com a área tecnológica inserida no contexto escolar. A inclusão das aulas de informática é um mundo novo, tanto para alunos, dos quais muitos estão começando do zero, pois por morarem na zona rural tinham dificuldade de acesso as novas tecnologias, quanto para professores, que estão se adaptando a esse novo método de educação no qual a máquina não é só um coadjuvante, mas sim, parte fundamental nesse processo ensino-aprendizagem. Ao participarem das aulas de informática, os professores adquiriram conhecimento e segurança na utilização do computador na construção do ensino-aprendizagem. Os docentes das disciplinas solicitavam aos bolsistas atividades como digitação de textos, buscando melhorar a escrita dos alunos; apresentações em slides como forma de avaliação do conteúdo de forma menos tradicional. O que até então algo fora do seu mundo, agora já faz parte da sua realidade onde eles próprios buscam maneiras de ensinar o aluno utilizando a tecnologia. Acredita-se que o principal motivo que leva os professores a não utilizar os recursos tecnológicos disponibilizados pela gestão escolar é a insegurança ocasionada pela falta de um profissional capacitado nesta área que auxiliaria no desenvolvimento da aula junto ao computador. Neste contexto, o licenciando em computação proporciona confiança ao docente, orientando quanto aos softwares educativos que melhor atenderão as dificuldades encontradas no conteúdo da disciplina, além de terem o conhecimento pedagógico necessário para a fusão entre educação e tecnologia. Centralizado em uma ideia de inclusão digital, o Projeto traz como objetivo principal trabalhar com a educação básica, subsidiando as dificuldades das disciplinas de Matemática e Português nas turmas de 5º ano a 7ª série, e com a informática inclusiva nas turmas de educação infantil, atendendo desde a pré-escola até o 4º ano, usando o computador como uma ferramenta de ensino para atingir as metas propostas. No começo foi desenvolvida uma apresentação da máquina, história, evolução, funcionalidades, e periféricos. Os alunos apresentavam dificuldades principalmente com o uso do teclado e do mouse e para potencializar o estudo dos mesmos, foram utilizados jogos que auxiliaram no manuseio correto do mouse e aulas com descrição do funcionamento do teclado, deixando as aulas mais voltadas para a inclusão digital do que como auxílio as disciplinas. Com o decorrer do tempo e com os educandos mais familiarizados com o computador, foram adquiridos softwares educacionais livres baixados gratuitamente da internet através de um processo de pesquisa e avaliação de uso junto ao corpo docente e gestores escolares, buscando atingir o objetivo principal que era a inserção da informática nas disciplinas da matriz curricular. As aulas, na sua maioria foram desenvolvidas com o auxílio de projetor de multimídia, vídeos como “o processador” encontrado na internet e “a história do computador” que faz parte do pacote educativo InfoKids, jogos educativos como o Soletrando, TuxTyping, sopa de letras, gibizinho, roda-viva, entre outros na área das linguagens; Tuxmath, tabuada online, circulo zero, tictac go, clicmath, entre outros na área das exatas; Gcompris, Ariê, Picolé digital, jogo da memória e das sombras, na educação infantil. Já foram vistas muitas melhorias no aprendizado e desempenho dos alunos, como aperfeiçoamento do raciocínio lógico e do pensamento crítico, destacando a concentração e a motivação demonstrada pelos estudantes visto que estão tendo acesso às novas tecnologias e sendo inseridos no mundo digital. Para PERRENOUD (2002), “confrontar o estudante com situações próximas daquelas que ele encontrará no trabalho e construir saberes através dessas situações”, é uma prática necessária para a formação qualificada do acadêmico. Levando em consideração que o aluno não é um mero depósito de informação, mas sim um ser autônomo capaz de criar e também transmitir conhecimento, tornando a sala de aula e o laboratório um espaço de troca de conhecimentos entre os sujeitos envolvidos na aprendizagem. BRAGA (2001) afirma que educar é colaborar para que professores e alunos – nas escolas e organizações - transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem... Uma mudança qualitativa no processo de ensino/aprendizagem acontece quando conseguimos integrar dentro de uma visão inovadora todas as tecnologias: as telemáticas, as audiovisuais, as textuais, as orais, musicais, lúdicas e corporais... É importante diversificar as formas de dar aula, de realizar atividades, de avaliar. No que diz respeito à parte técnica, os alunos apresentaram grande evolução. Perderam o medo de quebrar, de fazer algo errado, vão atrás do que precisam, estão sempre na inquietação da busca pelo novo, o que não aprenderam ainda. Muitos começaram a frequentar o laboratório municipal, o que demonstrou o interesse e a motivação pelas aulas desenvolvidas. Mais do que focar na informática, foi necessário fazer a reconstrução do ensino-aprendizagem, fazer os alunos perderem, além do medo, a preguiça de procurar, de entender o que precisam e enxergar as possibilidades para atender a essa necessidade. Tornar alunos de meros espectadores a cidadãos críticos e independentes que buscam o seu próprio saber é um dilema de muitos professores, mas que é essencialmente necessário quando diz respeito ao computador. Em relação as disciplinas curriculares, os alunos demonstraram uma evolução no conhecimento da matemática, conseguindo visualizar o processo construtivo das expressões matemáticas, além de melhorarem sua escrita, dicção e gramatica na disciplina de português. Busca-se assim com esse trabalho a construção de um ensino permanente, seguindo uma diretriz voltada à realidade do aluno e que o mesmo a cada aula consiga absorver a ideia de que a informática já faz parte de seu ciclo social e é de muita valia para sua vida. Acredita-se que se todas as escolas da rede pública dispunham de um projeto como esse, poder-se-ia ter menos analfabetos digitais e profissionais mais capacitados a enfrentar uma sala de aula embasados com uma metodologia inovadora, prazerosa, desenvolvendo excelência na educação.
BRAGA, Mariluci. Realidade Virtual e Educação. Revista de Biologia e Ciência da Terra. Vol. 1, nº 001. Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande – Brasil. Disponível em http://redalyc.uaemex.mx/pdf/500/50010104.pdf acesso em 14 de março de 2011.
PERRENOUD, Philippe. As competências para ensinar no século XXI: a formação dos professores e o desafio da avaliação. Porto Alegre: Artmed Editora 2002.

Palavras chaves: Programa de Iniciação a Docência, Motivação, Aprendizado, Escola. 

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